DN: Nuno Galopim entrevista Fletcher

dnA convite da EMI Nuno Galopim foi a Londres e entrevistou Fletch.

Tocamos nas emoções das pessoas por todo o mundo.

Uma aventura para três anos a caminho dos 30…

A caminho de celebrar três décadas de actividade na música, o grupo que se formou em Basildon, no Reino Unido, em 1980, edita na próxima segunda-feira um novo álbum de originais. Tem por título ‘Sounds Of The Universe’ e abre um ano de intensa actividade que os trará novamente a palcos portugueses a 11 de Julho, para um concerto no Porto.

Em 1980, Vince Clarke, que na altura era a voz e alma criativa dos Composition Of Sound, trocava as guitarras pelos sintetizadores. Sinais dos tempos, a opção reflectia um crescente interesse pela pop electrónica depois de primeiros êxitos de Gary Numan e dos Buggles. Num bar viu Dave Gahan a cantar uma versão de Heroes, de David Bowie. Gostou, e convidou-o a juntar-se a ele, a Martin Gore e Andrew Fletcher. Escolheram para nome o título de uma revista de moda francesa: Depeche Mode! Passaram quase 30 anos e Fletcher está sentado num quarto de hotel. O mesmo que alberga os dois outros elementos do grupo, no último dia de um mês a fio de entrevistas, de manhã à noite. Falam do novo álbum, Sounds Of The Universe, com edição global marcada para dia 20. E recordam histórias, lembrando Andrew Fletcher que há bem pouco tempo dera por si a pensar que, em 2010, estarão a celebrar as três décadas de vida!

“Na verdade, no início da nossa carreira nunca pensámos que estaríamos juntos mais que uma mão cheia de anos. Era assim na música pop… Mais de 90 por cento dos grupos não duram quase tempo nenhum”, diz Fletcher ao DN. E lembra que o contabilista que então com eles trabalhava “tinha até um plano espantoso”, partindo do principio que a carreira da banda duraria uns três anos. “Mas depois fomos tendo sucesso”, acrescenta. E, reconhece, “tem sido uma carreira agradável”, com ocasionais “baixos, mas muito mais altos”.

O músico tem razão. Olhando para a carreira dos hoje veteranos Depeche Mode nela reconhecemos uma história que, comparada com a de muitos contemporâneos seus, dos Soft Cell aos OMD, nunca conheceu verdadeiras rupturas. Nunca se separaram, pelo que nunca se reuniram. Mesmo olhando para o passado com tranquilidade, Fletcher prefere encarar as memórias de outra forma. “Podemos ver antes a história verificando que resistimos 30 anos e mantemo-nos relevantes e a fazer alguns dos maiores concertos de sempre de toda a nossa carreira”.

Apesar da solidez que o trio constituído por Dave Gahan, Martin Gore e Andrew Fletcher conhece desde 1980, os Depeche Mode chegaram a ter outros elementos. Foram eles Alan Wilder e, ainda antes, Vince Clarke, que anunciou a sua saída em 1981, na altura em que gozavam o seu primeiro êxito global com Just Can’t Get Enough. “Vince foi, originalmente, o homem que tinha a energia e as ideias quando nos formámos, em 1980. Era ele quem mais queria sair de Basildon”, a cidade onde o grupo se reuniu. “A nós sabia-nos bem estar numa banda, mas era ele quem tinha as ideias, “continua Fletcher. “Ele avisou-nos que ia sair… Que ia fazer a digressão e depois sair da banda… Nunca pensámos que íamos parar… É como aquelas coisas más que trazem depois coisas boas”, explica.

Na verdade, foi da saída de Vince Clarke que se abriu espaço para a afirmação de Martin Gore como autor. “A opção também acabou por ser boa para o próprio Vince, porque acabou por ter uma carreira notável nos Erasure”, acrescenta o músico.

Ao longo dos anos, Fletcher acabou por ser o único elemento da banda a nunca assinar um único tema gravado pelos Depeche Mode. Mas o factor de não ser autor não o incomoda:

“Noventa por cento dos músicos não escrevem canções. A escrita de canções é uma arte. E na minha carreira tive a sorte de trabalhar com dois dos melhores autores de canções que Inglaterra nos deu nos últimos 30 anos: o Martin Gore e o Vince Clarke”, reconhece. E confessa: “Eu não sei escrever canções desse calibre”.

Mesmo não escrevendo os temas que Dave e Martin cantam, Andrew veste as canções como suas. E responde sem problemas quando confrontado com o facto de, num tempo em que a ordem política e económica mundial está na ordem do dia, os Depeche Mode se manterem fiéis a uma postura essencialmente apolítica: “Como indivíduos temos grande interesse pela política”, deixa logo bem claro. Mas, “aí não nos sentimos confortáveis como banda”, explica. “As canções do Dave e do Martin tentam tocar as pessoas no seu quotidiano, de uma forma diferente do que faríamos se falássemos de política. Falamos de relações e de problemas do dia a dia que as pessoas enfrentam. Tocamos nas emoções das pessoas por todo o mundo. E isso, no fim, é o que há de mais incrível na música”, conclui.

Fonte: DN

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1 Response to “DN: Nuno Galopim entrevista Fletcher”


  1. 1 Carlos Gomes 20/04/2009 às 19:17

    Sábias palvras do grande Fletch…


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